Brandjacking: a parasitagem de marca e seus malefícios

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Você já viu alguma marca se pronunciando em relação às suas contas oficiais? Ou já recebeu ou viu alguma empresa se passando por outra para aplicar golpes?

Acredito que o lugar onde isso mais acontece é nas redes sociais, com perfis falsos, sorteios imaginários e presentes incríveis que um cliente pode receber se der diversas informações pessoas sensíveis. Mas também não podemos deixar de notar isso em outros lugares, como o uso de pequenas adaptações para vender um produto baseado no erro das pessoas (como a venda de roupas de baixo da Cailv Kailum – uma cópia estranha de Calvin Klein).

Intencional ou não intencionalmente, o uso da popularidade de outras marcas para fortalecer a sua tem um nome gringo bonito: brandjacking.

Mas o que é brandjacking? Qual o significado desse conceito?

Brandjacking é um termo em inglês que se refere à prática de uso indevido da marca de uma empresa por outra empresa ou indivíduo, geralmente com o objetivo de obter vantagens indevidas ou prejudicar a reputação da marca original.

Esta prática pode incluir, por exemplo, a criação de perfis falsos em redes sociais, sites falsos, campanhas publicitárias enganosas ou outras formas de comunicação que se apresentam como sendo representantes legítimos da marca original.

Ou seja, o brandjacking pode ser considerado uma forma de fraude ou concorrência desleal, e pode levar a processos legais e danos à reputação da empresa original. É importante que as empresas protejam suas marcas e estejam atentas a possíveis casos dessa parasitagem.

Então, vamos descobrir algumas das práticas mais comuns?

Como acontece a parasitagem de marca (brandjacking)?

Para ficar atento aos problemas que uma marca má intencionada pode ter em relação à sua, é importante se atentar a algumas práticas, que incluem, por exemplo:

1. Registro de nomes de domínio similares:

Acontece quando há o registro de nomes de domínio similares, na qual empresas ou indivíduos registram nomes de domínio que são semelhantes ou confusamente parecidos com o nome de domínio da marca original. Isso é feito com o objetivo de criar sites falsos ou phishing scams que pareçam ser da marca original, mas que, na verdade, são fraudulentos e enganam os usuários.

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Em 2019, a marca de produtos de beleza Sephora relatou que um site falso foi criado com o nome de domínio “sephora.shop”. Esse site fraudulento vendia produtos falsificados da Sephora, o que pode ter causado danos à reputação da marca original.

Outro exemplo que temos aconteceu em 2020, onde a empresa de entregas de alimentos Uber Eats relatou que vários sites falsos foram criados para enganar os usuários. Esses sites tinham nomes de domínio semelhantes ao original, como “ubereats.delivery” e “ubereats.deliverys”. Os usuários que acessavam esses sites falsos eram redirecionados para um site fraudulento que solicitava informações de cartão de crédito.

Assim, se uma empresa tem o domínio “minhaempresa.com”, uma pessoa mal-intencionada pode registrar um domínio como “minha-empresa.com” ou “minhaempresa.net”. Esses nomes de domínio podem parecer semelhantes ao original, mas são na verdade controlados por terceiros que têm intenções maliciosas.

Com o domínio falso, o fraudador pode criar um site que imita o site original da empresa, na tentativa de obter informações confidenciais dos usuários, como senhas e informações de cartão de crédito. Isso pode resultar em prejuízos financeiros para os usuários enganados e em danos à reputação da empresa original.

Para evitar a prática de registro de nomes de domínio similares, as empresas podem registrar uma variedade de variações de seu nome de domínio e monitorar regularmente a internet em busca de sites fraudulentos que possam ser associados à sua marca.

2. Criação de perfis de mídia social falsos:

A criação de perfis de mídia social falsos é uma prática comum de brandjacking na qual uma pessoa ou organização cria um perfil falso em uma rede social como Facebook, Twitter ou Instagram, com o objetivo de se passar pela marca original.

Assim, uma pessoa mal-intencionada pode criar uma página do Facebook falsa para uma empresa conhecida, utilizando o nome e o logotipo da empresa e essa página pode se passar pela página oficial da empresa e postar informações falsas ou enganosas, como anúncios de promoções inexistentes ou informações enganosas sobre produtos ou serviços.

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Em 2017, a marca de roupas de grife italiana Gucci descobriu que um perfil falso no Instagram, chamado “Guccy”, havia sido criado por uma pessoa desconhecida. Esse perfil falso usava imagens e logotipos da Gucci para promover produtos falsificados e confundir os clientes. A Gucci tomou medidas legais para remover o perfil falso e proteger sua marca.

Da mesma forma, em 2020, a marca de joias Tiffany & Co. relatou que vários perfis falsos no Instagram estavam vendendo produtos falsificados usando o nome e o logotipo da Tiffany. Esses perfis falsos usavam hashtags populares e imagens roubadas da conta oficial da Tiffany para enganar os usuários.

Os usuários que seguem a página falsa podem ser levados a fornecer informações pessoais ou financeiras, que podem ser usadas para fins ilícitos. Além disso, a página falsa pode danificar a reputação da empresa original, se postar informações enganosas ou prejudiciais aos clientes.

3. Campanhas publicitárias enganosas:

As campanhas publicitárias enganosas são uma tática comum na qual uma pessoa ou organização cria anúncios falsos que se assemelham aos da marca original, na tentativa de desviar o tráfego para um site falso ou coletar informações pessoais do consumidor.

Dessa forma, um indivíduo mal-intencionado pode criar um anúncio falso no Facebook ou no Google Ads que pareça ser da marca original. Esse anúncio pode conter informações falsas ou enganosas, como promoções inexistentes ou descontos exagerados em produtos populares.

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Em 2017, a empresa de segurança informática McAfee identificou uma campanha de publicidade mal-intencionada que direcionava os usuários para um site falso da Netflix. A campanha consistia em anúncios falsos que apareciam nos resultados de pesquisa do Google, oferecendo um mês grátis de assinatura da Netflix. Os usuários que clicavam no anúncio eram direcionados para um site falso que solicitava informações pessoais e financeiras.

De forma parecida, em 2018, a marca de moda italiana Versace processou um site de comércio eletrônico falso que vendia produtos falsificados com o nome da marca. O site usava anúncios enganosos no Facebook e no Instagram para promover os produtos falsificados, fazendo com que os clientes acreditassem que estavam comprando produtos autênticos da Versace.

Então, entendemos que os usuários que clicam em um anúncio falso podem ser levados a um site falso que se assemelha ao da marca original, onde são solicitados a fornecer informações pessoais ou financeiras.

4. Falsificação de produtos:

Como o próprio nome já diz, a falsificação se trata da venda de produtos falsos com o nome da marca original, com o objetivo de enganar os consumidores e obter lucros ilícitos. Isso pode prejudicar a imagem da empresa e colocar em risco a saúde e a segurança dos consumidores, pois os produtos falsificados podem não atender aos padrões de qualidade e segurança da marca original.

Um indivíduo mal-intencionado pode criar cópias falsas de um produto popular, como um perfume de marca, e vendê-las online ou em lojas físicas. Esses produtos falsificados também podem ser embalados de maneira semelhante aos da marca original, com nomes e logotipos parecidos, para enganar os consumidores.

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Em 2020, golpistas criaram um site falso para a popular plataforma de videoconferência Zoom, usando um nome de domínio e logotipo semelhante para enganar os usuários a inserir suas credenciais de login. Depois que os usuários inseriram suas informações, os golpistas conseguiram roubar seus dados pessoais e usá-los para atividades fraudulentas.

Da mesma forma, em 2013, a conta do Twitter da Associated Press (AP) foi hackeada e usada para enviar um tweet falso afirmando que a Casa Branca tinha sido bombardeada e que o presidente Obama estava ferido. Esse tweet causou um breve pânico no mercado de ações e levou a uma queda de mais de 150 pontos no Dow Jones Industrial Average antes que fosse revelado como um golpe.

Em conclusão, também é importante comentar que os produtos falsificados podem ser de qualidade inferior, o que significa que podem ser perigosos para os consumidores. Além disso, os produtos falsificados não passam pelos mesmos controles de qualidade e segurança que os produtos da marca original, o que aumenta o risco de falhas e defeitos.

5. Uso indevido de hashtags:

O uso indevido de hashtags é uma tática de brandjacking que consiste em aproveitar a popularidade de uma marca ou de uma hashtag para promover produtos ou serviços que não são da marca original. Isso pode ser feito de várias maneiras, como:

  1. Usando hashtags populares em posts que não estão relacionados à marca original: por exemplo, um varejista pode usar a hashtag de uma marca popular de roupas esportivas em seus posts de venda, mesmo que eles não vendam produtos daquela marca.
  2. Criando hashtags semelhantes às da marca original: por exemplo, um fabricante de refrigerantes pode criar uma hashtag que se pareça com a da marca líder no mercado para promover seus próprios produtos.
  3. Aproveitando eventos populares: por exemplo, durante grandes eventos esportivos, empresas podem usar hashtags populares relacionadas ao evento para promover seus próprios produtos, mesmo que eles não estejam oficialmente associados ao evento.

Essas práticas são desonestas e podem prejudicar a imagem da marca original. Além disso, podem confundir os consumidores e levá-los a acreditar que estão comprando produtos de alta qualidade da marca original, quando na verdade estão comprando produtos inferiores de outra marca.

Então, conta pra gente: você já passou por algum problema relacionado a brandjacking da sua empresa? Como contornou a situação?

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